Dra. Ana Gandolfi participa de reportagem do UOL sobre IA e dores

A Dra. Ana Gandolfi participou de uma reportagem publicada no UOL VivaBem sobre os riscos de consultar ferramentas de inteligência artificial para interpretar dores e sintomas. Abaixo, reunimos os trechos em que a médica contribuiu com seus comentários para a matéria.

Quando comecei a sentir dores crônicas, no início de 2021, lembro de mergulhar em longas pesquisas no Google procurando respostas que justificassem o que eu sentia. É claro que, na maioria das vezes, ficava desesperada ao descobrir que estava com câncer ou com uma doença genética rara e sem cura.

Na época, os chatbots de inteligência artificial ainda não tinham sido disponibilizados ao público – o ChatGPT, por exemplo, foi lançado em novembro de 2022. Fico imaginando se as coisas teriam sido diferentes caso eu tivesse conversado com uma IA.

O cenário atual é muito diferente. Um estudo recente realizado pelo aplicativo de telemedicina Olá, Doutor apontou que cerca de 70% dos brasileiros recorreram à inteligência artificial no último ano para tirar dúvidas sobre saúde. De acordo com a pesquisa, esse número chegou a 81,4% entre pessoas que convivem com doenças crônicas.

Médico ou IA?

Segundo Ana Gandolfi, neurocirurgiã pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em cabeça e coluna, houve uma mudança nos últimos anos em relação ao conhecimento adquirido pelos pacientes em plataformas de inteligência artificial.

“Antes eles traziam informações de buscadores como o Google. A diferença agora é que eles chegam com mais certeza, com nomes de doenças e até mesmo a medicação que eles acham que deveriam tomar. Alguns até abrem os chats durante a consulta, conta.”

Ela aponta que um dos problemas de se basear na IA é a simplificação de doenças complexas como a dor crônica, que são influenciadas por muitos fatores.

“No consultório, fazemos uma personalização do tratamento levando em conta aspectos que talvez a IA não considere, como sono, trabalho e estilo de vida. Além disso, o exame físico me permite identificar condições muito discretas que o paciente não tem condições de perceber, explica.”

Para a médica, a inteligência artificial muitas vezes cumpre um papel de acolhimento que o sistema de saúde não consegue suprir.

“Temos que pensar na realidade do Brasil, em que muitas vezes as consultas dos planos duram 15 minutos e impossibilitam a criação de um vínculo entre médico e paciente. Mas a IA não pode substituir o contato humano.”

Leia a matéria completa publicada no UOL VivaBem clicando aqui.

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